Reflexões s obre a Festa de São Jorge no Bairro de Fátima

Posted on 17/04/2012

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Cópia do e-mail enviado à Prefeitura de Valença, RJ.

Como morador da Rua Dom Rodolfo Pena, 732, em frente a, assim chamada, “Pracinha do Rodrigues Silva”, vejo-me obrigado a tecer algumas considerações sobre a referida festa.

1. A Festa de São Jorge é uma festa umbandista, dedicada a Ogum, orixá da energia e atitude, sincretizado no Rio de Janeiro por São Jorge.

2. Tal festa não tem nada a ver com o padroeiro dos cavaleiros, São Jorge. Este é um santo católico e anglicano, cujas origens são nebulosas, a ponto de, por muito tempo, não ser reconhecido pela Igreja Católica.

3. Tendo em vista os itens (1) e (2), a procissão de cavaleiros se torna uma ofensa aos adeptos da Umbanda e, portanto, não deveria existir em uma sociedade que respeitasse as diferenças.

4. A festa, oficialmente, ocorre nas cercanias da Rua Dr. Humberto Pentagna e Rua Gervásio Viana, próximas à tenda dedicada o Ogum.

5. Entretanto, a maior concentração de pessoas, no domingo, este ano, dia 15 de abril, se dá nas cercanias da Pracinha do Rodrigues Silva. E é aí que mora o problema.

6. Já se faz alguns anos, que a praça se vê invadida por um grande número de cavaleiros, que infelizmente, não conhecem, ou não aplicam, o conceito de cidadania, ou simplesmente são mal educados!

7. Colocam seus animais em cima da praça, os amarram nas grades dos muros, impedindo, inclusive a saída dos moradores pelos portões, além de, é claro, sujarem a rua deixando-a em petição de miséria.

8. Para piorar, se é que é possível, ocorre uma invasão de carros “tunados” cujo som, altíssimo, chegou a fazer os vidros das janelas de casa tremer (se existisse alguma dúvida quando aos decibéis excessivos, era só da um pulo na minha residência).

9. E, note bem, o som dos carros começou por volta de 9 horas da manhã do domingo (15).

10. Deveríamos esperar a presença de alguma forma de controle social, que agisse em relação ao som dos carros e à desordem patrocinada pelos cavaleiros.

11. Mas que vã esperança! Não vi um membro sequer da guarda municipal e notei a ausência completa de policiais militares. Não havia com quem reclamar. Em outras palavras, a baderna foi completa!

12. Bom, como morador da região, tive que manter minha casa fechada durante todo o domingo e mesmo assim, para ouvir um filme na TV, aumentei o volume até praticamente o máximo. Meu corpo se mostrou, no dia seguinte, tão desgastado, como estivesse participado de uma maratona sem treinar antes.

13. Para entender melhor os efeitos do som em nosso organismo, consulte o endereço eletrônico http://www.bauru.unesp.br/curso_cipa/4_doencas_do_trabalho/4_ruido.htm

14. Concluindo, a prefeitura se mostrou bem incompetente na hora de organizar uma simples festa de bairro. E, por favor, não me digam que havia guardas municipais, pois que, morando em frente aos eventos citados, sou testemunha viva dos fatos.

15. Não peço o fim da festa. Apesar de ateu, tenho respeito pelas crenças pessoais, em especial pelos adeptos da Umbanda e Candomblé, que foram, e ainda são, perseguidos.

16. O que eu quero, e acredito que a maior parte dos moradores do Bairro de Fátima, é respeito de uma prefeitura que aparentemente não dá nenhuma atenção aos desejos do valenciano.

17. Enfim, espero que no ano que vem tais fatos relatados acima, não ocorram e que a prefeitura seja bem mais competente do que vem se mostrando agora.

Atenciosamente,

Luiz Felipe Augusto de Souza Faria, morador indignado do Bairro de Fátima.

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Posted in: Festa, Valença