Estados Unidos treinaram grupo terrorista anti-Irã em solo norte-americano

Posted on 10/04/2012

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Organização que faz oposição a Mahmoud Ahmadinejad estaria por trás do assassinato de "Einsteins" iranianos, diz revista

Tijl Vercaemer/Wikicommons

Bandeira do Irã com o símbolo dos Mujahedin; grupo teria sido financiado por Israel e treinado pelos EUA

Em 2005, ainda durante a administração de George W. Bush, o governo dos Estados Unidos treinou um grupo terrorista islâmico em solo norte-americano. Os Guerrilheiros do Povo Iraniano, também conhecidos como MEK (Mujahedin-e-Khalq) são uma organização islâmica de tendência esquerdista que se opõe ao governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad e ao poder dos aiatolás.

Os iranianos foram treinados de forma ultrasecreta no estado de Nevada (oeste dos EUA), num campo de testes do Departamento de Energia, a 100 quilômetros de Las Vegas. De acordo com reportagem publicada pela revista New Yorker, o local foi escolhido por sua semelhança com as montanhas do nordeste do Irã.

Nesse local, o Comando de Operações Especiais Conjuntas dos EUA (JSOC) treinou membros do MEK desde 2005. Fundado com inspirações marxistas, o grupo iraniano apoiou a revolução responsável pela derrubada do xá Reza Pahlevi e é acusado pela morte de seis cidadãos norte-americanos em 1979.

Com o passar do tempo, as divergências com os clérigos iranianos aumentaram e o grupo foi para a oposição. Em 1997, o MEK foi listado pelo Departamento de Estado americano como uma organização terrorista. A organização ganhou maior notoriedade por revelar o desenvolvimento do programa nuclear iraniano.

Mohamed El Baradei, então diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), soube que a informação sobre os testes nucleares do regime de Mahmoud Ahmadinejad foi confirmada também pelo Mossad – o serviço secreto de Israel.

Segundo a New Yorker, o governo americano acobertou o financiamento de organizações dissidentes para coletar informações em solo iraniano e também para realizar ações terroristas contra o regime de Ahmadinejad. Com isso, o MEK tinha recursos de inteligência e armamento para se opor ao governo de Teerã.

"Einsteins" iranianos

Em fevereiro de 2012, uma reportagem da rede NBC mostrou que o MEK era o grupo por trás de uma série de assassinatos de cientistas nucleares iranianos. Segundo a matéria da rede de TV americana, Israel também treinou e financiou o grupo iraniano após o treinamento fornecido pelos americanos.

O objetivo ia além de matar os “Einsteins iranianos”. Israel queria minar o Irã psicologicamente com a destruição das instalações nucleares. Nesta segunda fase, Israel fornecia as armas e o financiamento. Aos EUA, cabiam o treinamento de inteligência. Desde 2007, cinco cientistas iranianos foram mortos em ataques.

Segundo a matéria da New Yorker, uma empresa de segurança privada contatou um espião da CIA para que ele auxiliasse o MEK a coletar informações sobre o programa iraniano. Robert Baer, hoje vivendo na Califórnia, diz que “isso é prova de que o acordo era de longo prazo e não uma ação isolada”.

Após a queda do regime de Saddam Hussein, em 2003, aumentaram as ligações do MEK com os serviços de inteligência ocidentais. O Comando de Operações especiais dos EUA começou a operar infiltrados no Irã para corroborar a tese do governo Bush sobre as instalações nucleares iranianas.

Wikicommons

Em 1988, durante a guerra Irã-Iraque, os mujahedin apoiados por Saddam Hussein invadiram o território iraniano, sendo duramente derrotados 

De acordo com oficiais e consultores militares americanos, ainda há operações americanas de espionagem dentro do Irã. Apesar do crescente envolvimento americano com a organização, o MEK permaneceu na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado americano – isso exigia sigilo absoluto para o treinamento realizado em Nevada.

“Usamos o Departamento estadual de Energia de Nevada como disfarce para treinar os iranianos”. A frase é de um ex-oficial da inteligência americana. Um porta-voz do Comando de Operações Especiais Conjuntas “negou que as Forças de Operações Especiais estivessem envolvidas ou sequer tivesse conhecimento de um treinamento para uma organização iraniana em solo americano”.

Quando o presidente Barack Obama subiu ao poder em janeiro de 2009, o treinamento já estava encerrado, segundo um general aposentado, conselheiro militar dos governos George W. Bush e Obama.

Também de acordo com este general, os iranianos do MEK receberam o treinamento padrão das JSOC: “foram instruídos em comunicações, criptografia, armamento e ações táticas para pequenas unidades”. O treinamento durou cerca de seis meses e ocorreu em 2007.

Para Massoud Khodabandeh, especialista em Tecnologia da Informação, e ex-membro do MEK, o treinamento em comunicação não versava apenas sobre capacidade de comunicação em combate. A ideia era invadir os sistemas de comunicação das usinas iranianas.

Extrapido do portal Opera Mundi – ultima atualização em 10/04/2012

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