Projeto de Lei no Tennessee quer liberar bullying contra gays por “razões religiosas”

Posted on 09/01/2012

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Projeto foi elaborado logo após suicídio de adolescente homossexual deixou escola por inúmeras ofensas

Um projeto de lei no estado norte-americano do Tennessee pode permitir o bullying contra estudantes gays caso os ofensores aleguem razões religiosas.

A proposta de mudança na lei anti-bullyng do Estado, elaborada por legisladores locais, permitiria que estudantes pudessem criticar a homossexualidade diante de outros estudantes gays, caso isto faça parte de sua doutrina religiosa. Pelo projeto de lei, o agressor só não poderia ameaçar o agredido ou danificar sua propriedade. O congresso estadual está em recesso e o projeto ainda não começou a tramitar.

O projeto de Lei começou a tramitar menos de um mês após um caso de homofobia que ganhou destaque na mídia local. O adolescente Jacob Rogers se suicidou em dezembro porque não suportava mais as ofensas pelas quais era submetido na escola em razão de sua sexualidade.

O projeto é incentivado pela associação ultraconservadora Fact (Conselho de Ação pela Família do Tennessee, em português). O grupo, presidido pelo ex-senador republicano David Fowler, emitiu uma nota em seu site no mês de dezembro apoiando o projeto “para proteger a liberdade religiosa e o direito de expressão para estudantes que queiram expressar suas visões sobre a homossexualidade”.

Fowler diz que o objetivo da lei deveria ser apenas combater o bullying, e não “criar classes especiais de pessoas mais importantes do que outras”. O ex-senador disse ainda, na época da morte de Rogers, em entrevista ao Nashville Scene, que o próprio garoto fou o culpado por sua morte, acusando-o de abusar de drogas, álcool e por possuir um distúrbio alimentar.

Já ativistas do grupo Projeto de Igualdade para o Tennessee afirmam que a mudança proposta iria permitir que alguns estudantes pudessem esconder seus preconceitos irracionais em uma crença religiosa extrema.

“Esse tipo de legislação pode mandar a mensagem de que é permitido odiar e ainda dará uma razão religiosa para isso”, disse o advogado Chris Sanders à rede de TV local WSMV. “E quando um estudante chama outro de pecador, ou sodomita ou diz que você é pervertido, ou anti-natural e que vai para o inferno? É aí que está o verdadeiro risco”.

Extraído do portal Opera Mundi – ultima atualização em 09/01/2012

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