Rússia pede resolução na ONU contra violência “dos dois lados” na Síria

Posted on 16/12/2011

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Potências ocidentais consideram proposta russa insuficiente por igualar manifestantes e governo

A Rússia surpreendeu a comunidade internacional nesta sexta-feira (16/12) ao apresentar um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra a Síria. A proposta representa uma mudança de postura do governo russo, que se mantém até o momento como o principal aliado do regime de Bashar al Assad, ao lado da China.

Em outubro, os dois países utilizaram seu poder de veto no Conselho de Segurança para barrar uma resolução semelhante, porém mais dura, contra o governo sírio, acusado de reprimir com violência manifestações que pedem a saída do presidente. Segundo as Nações Unidas mais de 4.000 pessoas morreram desde abril na Síria, em confrontos entre as forças de segurança e opositores, muitos deles armados. Assad contesta os números da ONU e diz que a maior parte dos mortos é de policiais e militares leais ao regime.

"Achamos que o Conselho de Segurança deve agir", disse o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin. No projeto de resolução, a Rússia defende que a ONU peça o fim da violência “dos dois lados”, de modo a permitir o avanço de reformas políticas no governo de Damasco. Apesar da nova posição, diplomatas ocidentais ouvidos pela agência Efe consideraram que a proposta não é enérgica o suficiente.

Efe

Manifestantes pró-governo saíram às ruas de Damasco nesta sexta em defesa do presidente Bashar al Assad

Churkin detalhou que o texto apresentado expressa a "necessidade urgente de deter a violência, respeitar os direitos humanos e agilizar as reformas no país", ao tempo que respalda "os esforços da Liga Árabe para solver a crise em colaboração com as autoridades sírias".

"Precisamos aprovar uma resolução no Conselho que termine com a violência e a crise que atinge a Síria, e ajudar esse país a seguir o caminho das reformas políticas", indicou o embaixador russo, para quem o papel do órgão deve ser "não o de exacerbar o conflito, mas o de apaziguá-lo".
Nos nove meses de repressão na Síria, o Conselho foi incapaz de aprovar uma resolução de condenação a Damasco pela oposição da Rússia e China, que em outubro passado usaram o poder de veto no órgão para se opor a um texto apresentado pela França, Reino Unido, Alemanha e Portugal, com o apoio dos Estados Unidos.
O embaixador russo assinalou nesta ocasião que a resposta dos demais membros do Conselho de Segurança foi "construtiva" e destacou seu desejo de obter acordos, uma vontade compartilhada pelos diplomatas ocidentais, que, no entanto, acusaram o projeto de resolução russo de ser "totalmente insuficiente".

Reação
Vários representantes dos países europeus do Conselho – os que mais pressionaram nos últimos meses para obter uma resposta do principal órgão de decisão da ONU sobre a situação na Síria – criticaram o texto russo por equiparar as autoridades de Damasco com os manifestantes. Mesmo assim, disseram que é possível usá-lo "como base para negociar".
"É um projeto de resolução insuficiente. Temos de dizer quem é responsável pela violência, que é o governo sírio. Não podemos pôr no mesmo nível as autoridades e os manifestantes", disse o embaixador alemão na ONU, Peter Wittig, após a reunião de emergência no Conselho.
O embaixador francês na ONU, Gérard Araud, aplaudiu a iniciativa russa, que classificou como "acontecimento extraordinário", porque mostra que "a Rússia decidiu abandonar sua inação" em relação ao caso da Síria.
"A Rússia sentiu nossa pressão e o peso da indignação", disse Araud, que considerou o projeto de resolução russo "desequilibrado" e disse que o texto precisa de "muitas mudanças". Ainda assim, Araud destacou que a proposta servirá para negociar uma resolução final, um meio de tirar as negociações do impasse no Conselho.
"Temos de mostrar que a violência veio do regime sírio e que é o regime que matou milhares de manifestantes. Está claro que, após meses de violência, alguns manifestantes devolvem a violência, mas não podemos colocá-los no mesmo nível", acrescentou o diplomata francês.
O número de mortos pela repressão na Síria segue aumentando, como destacou nesta semana a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Ela disse no Conselho que o conflito já deixou "mais de 5 mil mortos, entre eles mais de 300 menores".

*Com informações da agência Efe

Extraído do sítio Opera Mundi – ultima atualização em 16/12/2011

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