O DESPUDOR SECTÁRIO DE VEJA.

Posted on 16/12/2011

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Em A Hora da Estrela, Clarice Lispector nos mostra toda simplicidade e ingenuidade de uma nordestina interiorana solta na selva de pedra do Rio de Janeiro à mercê de todo tipo de crueldade humana. Macabéa, a personagem, nem sabe ao certo se é triste ou feliz. Sem parâmetros para sequer saber distinguir o que é bom e o que é ruim seus momentos de felicidade estão em poder ficar sozinha no quarto que divide com outras mulheres, tomar coca-cola com pão ou beber um café, um luxo que ela paga tendo azia logo em seguida, como nos revela a narração.

Que a revista Veja, a Folha de São Paulo, a Globo e grande parte de nossa mídia é cruel e sectária a maioria de nós sabe bem. Na cabeça dessas pessoas não pensar como eles significa ser ignorante, imbecil, enfim, uma ralé intelectual que deveria ser varrida do país. Por mais que os números mostrem e comprovem que nosso país não é eleitoralmente dividido em classes, essas pessoas continuam a espalhar estereótipos e alimentar ódios e separatismos dentro da nossa sociedade. Prestam, assim, um imenso desfavor ao nosso país.

Em meio às manifestações sobre a recente publicação do jornalista Amaury Ribeiro Jr, deparei-me, quase que por acaso, com esse vídeo que coloco abaixo. Clarice Lispector poderia ter tirado sua Macabéa deste teatro de horrores patrocinado pela Revista Veja. Não obstante todos aqueles que se julgam superiores, espertos, inteligentes e descolados e que massacram a personagem sem que ela se dê conta do que está sendo feito com ela, podem ser encarnados pelo jornalista de VEJA.

Há muito tempo não vejo nada tão cruel e tão definitivo sobre o que de fato move nossa elite e que sentimentos essas pessoas fermentam dentro de si. Este vídeo pode ser interpretado de algumas formas e algumas verdades saem dele, as mais flagrantes, ao meu ver, são duas: 1- Todos que não fundamentam suas idéias sócio-políticas e culturais nas mesmas bases dessas pessoas são por elas consideradas pobres Macabéas. 2- Realmente a palavra "escrúpulo" deveria ser removida dos dicionários que habitam a Editora Abril.

No vídeo, assim como no livro, temos basicamente dois personagens: Macabéa ou Neli Santos Ferreira e o jornalista, que no livro pode ser representado por qualquer um dos personagens que massacram a mulher sem que a mesma perceba a violência que está sofrendo. Vejam abaixo esse circo de horrores.

A pergunta que Clarice Lispector deixa no ar o tempo todo em sua obra não poderia vir mais a calhar: quem, de fato, é o imbecil, o idiota, o manipulado e o pobre coitado do vídeo?

Extraído do blog A Razão por Opção – ultima atualização em 16/12/2011

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