Crise econômica global atinge o Brasil

Posted on 08/08/2011

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Com risco de o pregão ser suspenso, Bolsa fecha em queda recorde

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou nesta segunda (8) em forte queda de 8,08%, para 48.668 pontos, perto do limite de 10% para a suspensão automática das negociações. Foi uma das maiores quedas da bolsa desde outubro de 2008, quando o mundo foi atingido pela crise dos títulos imobiliários nos Estados Unidos.

Às 15h31, o Ibovespa caía 9,25% e registrava 48.049 pontos. Se a queda atingisse a marca de 10%, o pregão seria suspenso pela primeira vez em 3 anos, com a adoção do mecanismo de proteção chamado circuit breaker.
A bolsa brasileira seguiu a tendência mundial de queda, no primeiro pregão após o rebaixamento da nota de risco da dívida norte-americana pela agência de classificação Standard and Poor’s.
O indicador, que no pregão da última sexta subiu 0,26%, perdeu hoje 4.281 pontos. Em 1.043.460 operações, o volume financeiro foi de R$ 9,587 bilhões. Em um dia sem ações em alta, a queda mais acentuada foi a dos títulos ordinários da Marfrig (-24,17%).
O dólar comercial fechou o dia com alta de 1,96%, cotado a R$ 1,61, enquanto o euro registrou alta de 1,68%, cotado a R$ 2,28.
Fonte:Agências

Estudo da OCDE indica desaceleração de economias mais ricas

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta segunda-feira (8), em Paris, um estudo mostrando que o Brasil e alguns países de economia mais rica apresentam sinais de desaceleração. Nações em desenvolvimento indicam tendência a abrandar suas atividades.

Pelos gráficos, os países que indicam tendência mais grave de desaceleração são Estados Unidos, Japão e Rússia. Já Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Brasil, China e Índia sinalizam um abrandamento das atividades econômicas.
"O índice composto dos principais indicadores da OCDE em junho reflete a desaceleração da atividade econômica nas principais [economias] mundiais", informa o comunicado, divulgado nesta manhã em Paris, na França.
De acordo com os dados, as economias em desenvolvimento apontam para um abrandamento das atividades. O Brasil aparece com 97,7 pontos em junho e uma leve queda para 96,6, em maio. Comportamento semelhante foi registrado na China e na Índia.
De acordo com o comunicado oficial, o crescimento nos Estados Unidos ficou em 103,1 pontos em junho passado, dois pontos a menos em comparação com o mês de maio, enquanto o Japão ficou em 103,6 pontos contra 103,8 pontos anteriores.
Os dados mostram também desaceleração no crescimento da Rússia que mostrou 103,2 pontos em junho, enquanto que em maio atingiu 103,6 pontos. Por sua vez o Canadá apareceu com 100,5 pontos em junho, enquanto sua pontuação em maio foi 101.
A França conseguiu manter-se em 101,2, em maio, e 100,6 pontos, em junho. Na Alemanha, em maio os dados mostram 102,9, enquanto junho registrou uma leve alta de 103,5 pontos. A Itália teve uma queda leve obtendo em junho 100,9, embora tenha registrado 100,2 pontos em maio. No Reino Unido houve estabilidade, com 101,3 pontos, em maio, e 101 em junho.
Fonte: Opera Mundi

Pânico nas bolsas sinaliza uma nova recessão mundial

O comportamento das bolsas de valores e dos investimentos pelo globo nesta segunda-feira, 8, sugere que a economia mundial navega ao encontro de uma nova tempestade. Ganha força e parece irresistível a tendência a uma recaída na recessão. O pano de fundo dos acontecimentos em curso é a crise da ordem capitalista liderada pelos Estados Unidos.

Por Umberto Martins

O mercado de capitais brasileiro foi um dos mais afetados. As operações na Bovespa quase foram interrompidas (o que ocorre quando o índice baixa 10%) e o dia encerrou com o Ibovespa despencando 8,08%, o maior tombo desde outubro de 2008. Já o dólar subiu 1,44%.
Em Nova York, o Dow Jones caiu 5,5%. Na Ásia as perdas médias superam 4%, na Europa Frankfurt recuou 5,02%, Paris 4,7%. A bolsa de Moscou também desabou 5,6%.

Ouro e commodities

A cotação do ouro registrou um novo recorde na segunda-feira (8), superando a barreira dos US$ 1.700 a onça (28,3 g) pela primeira vez. O precioso metal fechou a US$ 1.715 e já acumula uma valorização de 20% ao longo deste ano. A evolução reflete a fuga de capitais das bolsas e títulos públicos para o ativo ainda hoje considerado como o mais seguro do mundo.
O preço das commodities recuou sob o impacto da perspectiva de uma nova recessão no mundo. O efeito disto é contraditório para o Brasil, cujo superávit comercial num contexto de excessiva valorização do real só se explica pela valorização das commodities e reversão dos termos da troca internacional. Em compensação, a inflação tende a cair e os juros tendem cair, conforme antecipam os índices do mercado futuro.
Sabor irônico
O rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela Standard & Poor´s elevou o grau de pessimismo e semeou pânico entre os investidores. Hoje, a empresa rebaixou também as notas do crédito dos gigantes hipotecários Fannie Mae e Freddie Mac, que faliram com o estouro da bolha imobiliária e foram encampados pelo governo.
À tarde, por volta das 14h40, o presidente Barack Obama fez um pronunciamento criticando a agência de classificação de risco e renovando as promessas de solução para o déficit público e o desemprego massivo. “Vamos alimentar o consumo”, alardeou. As bolsas fizeram ouvidos moucos e acentuaram a queda.
A crítica do chefe do governo da maior potência capitalista do mundo tem um sabor irônico, pois até agora este tipo de reclamação (contra agências norte-americanas) era monopólio dos países mais pobres, perturbados por crises da dívida externa, como foi o caso do Brasil no passado ou da Grécia, Irlanda e Portugal no presente. Nesses casos, o rebaixamento é a senha para o aumento das taxas de juros cobradas pelos bancos internacionais.

Promessas
G7 e G20 se reuniram no final de semana para debater a crise. Os dois órgãos prometeram medidas contra a instabilidade. O G7 acenou inclusive com mais dinheiro para reduzir os estragos nas bolsas. O G20, que possui dois terços dos papéis da dívida dos EUA em mãos de estrangeiros, anunciou uma operação de “blindagem” dos títulos em que ancoraram suas reservas, com os ministros de economia e presidentes de bancos centrais dos países membros externando, em teleconferência, o compromisso de não desová-los neste momento crítico.
As turbulências no império americano se somam às preocupações com a crise da dívida na Europa. O Banco Central Europeu (BCE) teria comprado de 2 a 3 bilhões de euros em títulos italianos e espanhóis para evitar o avanço da crise da dívida na região, de acordo com informações das agências.

China
Embora criticada até pela presidente Dilma, a Standard & Poor´s não está sozinha. Ela segue os passos da agência de notação chinesa Dagong Global Credit, que recentemente rebaixou pela segunda vez a classificação do crédito da Casa Branca e ameaça atribuir-lhe uma nota ainda pior no futuro. O presidente da Dagong, Guan Jianzhong, acha que os EUA já se encontram em situação de ruptura financeira.
Por sinal, a China parece estar perdendo a paciência e as ilusões com Tio Sam, de quem é a maior credora. A imprensa chinesa não tem poupado críticas e reiterado pedidos de responsabilidade aos líderes políticos estadunidenses.
A mídia de Pequim também associa os gastos militares de Washington com a explosão do déficit público americano e acusa os líderes ocidentais de prejudicar a recuperação econômica por indecisão e irresponsabilidade política, refletindo os temores das autoridades chinesas com o desenvolvimento da crise.
A China quer maior estabilidade, pois foi com certa estabilidade, embora num quadro de crescentes desequilíbrios comerciais e financeiros, que o país avançou para a posição de segunda maior economia do mundo e ambiciona liderar a transição para uma nova ordem mundial.
Novo sistema monetário

Os chineses consideram que é chegada a hora de substituir o dólar como padrão monetário internacional e alertam para a política de desvalorização deliberada do dólar através da política de emissões levada a cabo pelo Federal Reserve (FED, o banco central dos EUA).
O padrão dólar é a base do endividamento, o lastro e a âncora dos débitos públicos e privados. A crise teve a virtude de evidenciar a decomposição do padrão dólar, que é também a base do sistema internacional de reservas. Mas nada indica que o problema subjacente seja resolvível em curto prazo. Não parece haver hoje um candidato à altura da função.
O euro corre sérios riscos com a crise europeia, o iene (japonês) não está no páreo e o yuan (chinês) ainda não é conversível. Em momento de aversão ao risco, os investidores buscam refúgio no ouro e em outros ativos, mas a falta de maiores opções transparece na demanda pelos controvertidos títulos públicos dos EUA, cujos rendimentos declinaram.
Transição

Além disto, a transição para uma nova ordem monetária internacional, ainda que baseada numa cesta de moedas, não é uma questão exclusivamente econômica. Requer consensos e acordo entre as nações, incluindo no caso o consentimento ou a capitulação daquele que emite a moeda hegemônica, os EUA. A solução é política e provavelmente não será muito pacífica.
Enquanto o problema se arrasta, o que deve prevalecer ao longo dos próximos anos, as autoridades econômicas dos Estados Unidos parecem determinadas a continuar tomando decisões unilaterais sem se importar com o impacto disto para a China, o Brasil e o resto do mundo.
Inflação e guerra cambial

O Federal Reserve se reúne nesta terça, 9, e a possibilidade de retomar a política de estímulo quantitativo, ou seja, de um novo derrame de dólares, está em pauta. É provável que uma decisão neste sentido seja anunciada até mesmo porque parece não haver outra alternativa para estimular a economia enferma. O governo Obama está com as mãos amarradas pelo acordo em torno da dívida, comprometido com cortes e não tem espaço para ampliar os gastos públicos.
A experiência indica que este tipo de medida não vai tirar a economia estadunidense da lama, embora certamente resulte num meio de incentivar as exportações através de uma maior depreciação do dólar. Para o resto do mundo, emissão e depreciação do dólar são sinônimos de inflação e guerra cambial.
É daí que nasce a necessidade objetiva de substituir o dólar como meio de pagamento e referência para preços e reservas. Mas tal necessidade não gera espontaneamente a mudança necessária. A crise do padrão dólar promete dominar o cenário mundial ainda por muito tempo.

Extraído do sítio Vermelho – ultima atualizaçãi em 08/08/2011

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