Protestos estudantis no Chile deixam mais de 800 presos e 100 feridos‎

Posted on 05/08/2011

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*Atualizada às 10h30
A repressão da polícia contra os estudantes no Chile, que protestam há dois meses contra o sistema de ensino no país, resultou nesta quinta-feira (04/08) na prisão de 874 pessoas em várias cidades. Apesar de os protestos dos estudantes serem pacíficos, o governo proibiu qualquer tipo de demonstração.

A jornada de protestos, que atingiu 12 cidades, ocorreu três dias depois que o Ministério da Educação apresentou nova proposta para os estudantes.
Estudantes da USACH (Universidad de Santiago) fizeram um vídeo que mostra a repressão policial. Veja:

A repressão à manifestação de ontem pode ter sido a mais violenta dos últimos dois meses, desde o início do movimento estudantil, em maio. Os universitários e secundaristas reivindicam a ampliação da educação pública e gratuita e a ampliação de investimentos no setor. Mais de cinco mil pessoas foram às ruas do Chile.

Os estudantes se queixaram da repressão policial que, segundo eles, lembra as ações da polícia durante a ditadura militar do general Augusto Pinochet, que governou o Chile entre 1973 e 1990. A repressão "demonstra que o governo não foi capaz de entender a magnitude deste movimento. Imagino que terá sido assim há 30 anos no Chile", disse Camila Vallejo, uma das principais líderes estudantis.

Em resposta à violência, a população se mobilizou e fez "panelaços" de dentro de suas casas, depois de acolher o chamado da presidente da Fech (Federação de Estudantes da Universidade do Chile). Ao "panelaço", se somou o "buzinaço" dos motoristas em trânsito, principalmente nos bairros de Santiago.
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O  vice-ministro do Interior, Rodrigo Ubilla, negou que civis foram feridos, mas confirmou que 29 policiais se machucaram. Das 552 pessoas detidas, 284 protestavam na capital. Em comunicado, o serviço de segurança informou que as detenções ocorreram motivadas pela “desordem, por porte de armas ou explosivos”.
Os policiais usaram gás lacrimogêneo e jatos de água na tentativa de dispersar os manifestantes. O clima de tensão tomou conta de várias avenidas no país. As manifestações duraram, em média, cinco horas. 

Estudantes e professores apresentaram nesta sexta-feira (05/08) uma ação contra o ministro do Interior chileno, Rodrigo Hinzpeter, por considerar que este violou seu direito de reunião ao impedir os protestos de quinta-feira e realizar prisões ilegais. A denúncia foi apresentada pela própria Camila e por representantes do Colégio de Professores. "Estamos processando o ministro Hinzpeter", disse ao apresentar a denúncia no Sétimo Tribunal de Garantia de Santiago.
Segundo ela, a ação foi apresentada "pela repressão ocorrida no dia de ontem, onde foram violados, além das liberdades constitucionais, como o direito de reunião e a mobilização em via pública, houve prisões ilegais e repressão contra particulares".
Assista a um vídeo que mostra os estudantes sendo impedidos de usar o metrô de Santiago. Seguranças alegaram ordem da administração pública:

O prefeito de Santiago, Pablo Zalaquet, disse que os prejuízos para a iniciativa privada e o setor público, em decorrência das últimas manifestações, chegam a 1 milhão de pesos.

O irmão do presidente chileno Sebastián Piñera, o músico Miguel, afirmou hoje, em entrevista a um canal de televisão universitário, que apoia "100% os estudantes" e que os jovens "lutam por algo que é justo: educação gratuita para todos".
Segundo Miguel, ele chegou a expor sua posição ao irmão e declarou estar disposto a intermediar o conflito em busca de uma solução.

*Com informações da Agência Brasil.

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