Capitalismo discrimina para ampliar exploração e maximizar lucro

Posted on 22/07/2011

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Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira, 22, revela que mais da metade da população brasileira (63,7%) reconhece que a cor ou a raça exerce efeitos diferentes nas relações cotidianas. É no ambiente de trabalho que se verifica o sentido da discriminação: o capital usa o preconceito para aumentar a taxa de exploração da força de trabalho e maximizar lucros.

De acordo com o estudo, o trabalho, citado por 71% dos entrevistados, é a situação cotidiana que mais sofre influência da cor e da raça. Em seguida, aparecem as relações com a polícia/Justiça (68,3%) e no convívio social (65%). O levantamento foi feito em 15 mil domicílios de cinco estados e no Distrito Federal, em 2008.

Pesquisa

A Pesquisa das Características Etnorraciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça foi feita no Amazonas, na Paraíba, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso e no Distrito Federal. Do total dos entrevistados, 96% souberam se autoclassificar e muitos preferem mascarar a realidade para evitar discriminação.
Quem não cita as categorias branca, preta, parda, amarela e indígena, usadas tradicionalmente pelo IBGE em suas pesquisas, afirma que é moreno (21,7%) ou negro (7,8%). Para o órgão, o fato de as pessoas se identificaram com base apenas nessas sete categorias encerra um mito.

Moreno

"Existia um folclore no sentido de que teríamos mais de 100 categorias diferentes para se autoclassificar, uma salada de cores. A pesquisa mostra que não, que as pessoas escolhem uma das sete categorias", diz um dos responsáveis pelo estudo inédito, José Luís Petruccelli.
Embora a população tenha consciência da cor ou raça, muitos usam o termo "moreno" para evitar se declarar como preto ou pardo (negro), acrescenta o pesquisador. "Moreno é um termo para fugir da questão. Pode ser quase qualquer um, pode ser bronzeado de sol ou afrodescendente."

Ascendência europeia

De acordo com a pesquisa, para se autoclassificar, os brasileiros levam em conta a cor da pele (74%) e a origem familiar (62%), além dos traços físicos (cabelo, boca, nariz), citados por 54%.
Em relação à ancestralidade, a maioria dos entrevistados reconheceu ascendência europeia (43,5%), entre as noves possibilidades dadas no questionário. Quanto à origem familiar, 21,4% citaram a ancestralidade indígena e 11,8%, a africana.
A pesquisa do IBGE sobre características etnorraciais da população brasileira foi feita em 15 mil domicílios no Amazonas, na Paraíba, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso e no Distrito Federal, no ano de 2008.

Capitalismo

Os preconceitos não nasceram com o capitalismo, mas é inegável que a discriminação, no Brasil como em outros países, tem sido estimulada e usada pelo patronato para aumentar a taxa de exploração da classe trabalhadora, reduzindo salários e, com isto, maximizando os lucros. Vale até mesmo, no capitalismo tupiniquim, a exploração do trabalho escravo em pleno século 21.
É por isto que mulheres, negros e jovens constituem o contingente da população trabalhadora mais sujeito ao desemprego, aos baixos salários, à precarização e à violência. O salário de um trabalhador negro equivale em muitos casos à metade do valor pago a um branco, apesar de realizar as mesmas funções. Mulheres e jovens também recebem menos. A diferença é embolsada pelo patronato. Isto confere à luta contra os preconceitos e a discriminação um sentido classista que já foi percebido pelo movimento sindical.
No documento intitulado “Desenvolvimento com soberania e valorização da classe trabalhadora”, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) sustenta que “para avançar no sentido de um projeto de desenvolvimento com soberania e valorização do trabalho é imprescindível combater com energia e intransigência todas as formas de discriminação e preconceito, cabendo em particular ao movimento sindical conferir maior ênfase à luta pela igualdade no mercado de trabalho brasiliero, profundamente marcado pela discriminação contra negros, mulheres e jovens”.
Da Redação, com informações do IBGE e da Agência Brasil

Extraído do sítio Vermelho – ultima atualização em 22/07/2011

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