Se você é assinante de O Globo, faça um bem à sua saúde mental: Cancele já sua assinatura!

Posted on 04/09/2010

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Vejam o depoimento abaixo, publidao originalmente pelo blog Pelenegra:

Por quê cancelei minha assinatura do jornal “O Globo”.

Como já disse na postagem abaixo, um email me levou a iniciar o movimento pelo cancelamento de assinaturas do jornal O Globo. Trata-se do texto postado abaixo. Claro e conciso ele consegue responder aquela pergunta subconsciente que está sempre presente quando temos que opinar sobre alguma coisa, ou agir de alguma forma. Recentemente, tive de responder a uma destas inquirições. Minha filha que está fazendo pré-vestibular me instou a fazer a assinatura de um jornal e uma revista semanal. Reconheci suas razões, mas tive de dizer-lhe não. Afinal, como ia por dentro de minha casa coisas como a Veja e o O Globo, já chega o JN diário e inverossímil, que atravessa a minha goela, golpeando a minha palavra.
Aí vai o texto citado acima, leia-o e convença-se
Enfim, se você conhece alguém que assine o dito cujo? Converse com ele, convença-o. Isto é um ato de garantia do regime democrático.

De Alvaro Senra

Meus amigos:

Há uns 35 anos atrás, enquanto eu cursava o ginásio numa escola estadual de São João de Meriti, uma tia meio doida, professora primária, começou a me enfiar o Jornal do Brasil goela abaixo. O pretexto era simples, sem nenhuma argumentação mais sofisticada: temos que ler jornal todos os dias!

Mas, notem bem: o era Jornal do Brasil! Repito: o Jornal do Brasil, não esse esquálido meio-cadáver que foi enterrado faz poucos dias sem nenhuma carpideira ao lado, sem merecer telegrama de parente distante! Naquele, as emoções eram garantidas por gentes do cabedal dos Drummonds, Carlinhos Oliveiras, Castellinhos… Como a política nacional minguava, o recheio do jornal era feito por quatro ou cinco páginas de Exterior, cuja leitura me proporcionou a centelha para o vivo interesse por História Geral, mantido até hoje. Foi no JB que o Zico, o Mengão campeão do mundo e a Seleção de 82 tiveram a honra das páginas recortadas e guardadas. Além disso, o JB foi o órgão da imprensa burguesa no qual acompanhei as alegrias e dissabores do primeiro PT. Até hoje tenho, nos meus arquivos, o caderno especial que registrou as vitórias nas eleições municipais de 88, revelando ao Brasil desconhecidos como Olívio Dutra e Luiza Erundina.

À exceção era nas segundas, quando mesmo o JB era meio mixuruca, e só futebol interessava. Mas todo jornal não é assim? Em suma: um respeitável jornal conservador, digno de ser lido com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo.

Conforme o JB foi ficando minguado e sem graça, fui, muito contra a vontade e por falta de opção, me transferindo pr’O Globo. É difícil pensar como é difícil ir de um jornal para outro. É como mudar de casa: assim como demoramos para achar o banheiro ou chegar até o quarto de olhos fechados depois de fazer xixi de madrugada, localizar instantaneamente a página de esportes ou decorar o nome dos articulistas não é coisa que se faça de um dia pro outro.

Pois bem: não é que, com o tempo, me acostumei à já citada página de esportes?! Me habituei a ler a Revista de Programa das sextas ou o encarte de literatura dos sábados! Mas sempre houve zonas proibidas, que mudaram de nome com o tempo, mas que evitei ler, porque minha vida sempre foi curta para ser perdida com besteiras. Não preciso me estender, porque todos sabem: os Mervais, as Leitoas, os Jabores da vida… Tudo bem, é só O Globo, não é o velho JB!

Aguentei muita coisa, até porque, como eu tinha na minha adolescência uma tia maluca, hoje sou pai maluco de um filho adolescente, a quem digo o tempo todo que ler jornais é importante.

Mas há um limite: o golpismo. Aturamos um vizinho chato, falastrão ou de crenças completamente diferentes das nossas. Mas não dá para conviver com um vizinho que deseja derrubar a nossa casa.

A direita brasileira não desenvolveu partidos orgânicos nem renovou significativamente suas lideranças nos últimos anos. Hoje, são os filhos que herdam seus partidos, como se fosse capitanias hereditárias (talvez eles ainda pensem que estão lá). O problema é deles, que sempre se serviram das estruturas do Estado e não precisaram lutar para ter autonomia e nem para criar sua militância. Mas a democracia é algo sério demais para ficar brincando com manchetes sem prova, com artigos (como o do Merval de hoje, dizendo que a democracia brasileira está em risco… por causa do PT). A vontade da maioria não pode ser golpeada em nome de uma bela palavra que, para essa mesma direita, sempre teve um sentido puramente instrumental.

Hoje, depois de muito lero-lero, finalmente dei um basta em três décadas e meia de hábito: suspendi definitivamente a assinatura d’O Globo. Decidi me informar por blogs e edições eletrônicas. Pensei na parte boa; é menos papel para ter que arrumar!

Quando achei que estava tudo acabado, recebi da atendente (muito profissional e gentil) a seguinte proposta; suspender o envio do jornal até o dia 5 de outubro, ou seja, após as eleições!!!

Meu Deus! Não se contentando em sustentar um golpe contra a democracia, o jornal propõe um golpe contra o assinante! Me poupam da campanha eleitoral, e depois tudo volta ao normal?!

É golpe demais para o meu coração!

Alvaro Senra, em 02 de setembro de 2010, meu último dia como assinante de jornal.

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