Segundo secretário, os professores do estado evoluem na carreira sem esforço!(????)

Posted on 25/08/2009

0


Durante meu tempo de atividade no magistério estadual, encontrei, quase sempre, turmas com mais de cinquenta alunos e poucos abandonos ao longo do ano letivo. Considerando que a legislação fala em 1m2 de espaço para cada aluno, dei aula em salas que caberiam no máximo 10, 12 alunos. Em outras palavras, quase sempre tive turmas com excesso de alunos. Mas isso, segundo o secretário estadual de planejamento e gestão, sr. Sérgio Ruy Barbosa, não representa esforço algum! Afinal a garganta irritada no final do ano é porque não sabemos “posicionar” a voz e não por falarmos alto demais e assim superar os ruídos comuns em ambientes com excesso de pessoas.

Talvez esforço seja fazer cursos adequados à carreira de professor. Claro que só se conta cursos de mestrado e doutorado. Eu não os fiz, e porque não os fiz? Estava dando aulas para esse mesmo estado que agora diz que fui um professor acomodado. Quem disse que o estado te libera para fazer cursos de pós-graduação strictu sensus? Vai tentar uma licença remunerada para estudar – prevista, aliás, tanto no estatuto do servidor, quanto no estatuto do magistério. Se conseguir ganha um prêmio: fica sem a bolsa do CNPQ e vai ter que custear o curso com o salário que lhe pagam. Pode até ser que em cursos não-tecnológicos isso seja possível, mas como custar sozinho um curso nas áreas de física, química e biologia, como o baixo salário do magistério e, muitas vezes, tendo que manter uma família? E aqueles cursinhos que nos obrigam a fazer? Não têm nenhum valor?

Ora, sr. secretário, o interstício de 12% não representa a qualificação profissional, mas sim um prêmio pelo tempo de vida que nós dedicamos ao magistério estadual. Representa um ganho conseguido com esforço sim, esforço para superarmos as péssimas condições de trabalho que vocês, governo, sempre nos impuseram. Não é um ganho para cobrir o déficit da inflação – esse se chamaria reajuste anual de salários.

O sr. secretário, diz que que a redução é devida à necessidade de investir em outras áreas, como segurança e saúde. Então que tal reduzir o valor das DAS paga aos servidores comissionados. Que tal mexer no plano de carreira do pessoal da receita estadual, diminuindo suas gratificações? Isso o senhor não tem peito de fazer, mas para matar o plano de carreira do já falido magistério estadual, o senhor tem.

É… E ainda dizem que educação é prioridade nesse estado!

Anúncios
Posted in: Educação