Seleção natural ao vivo

Posted on 02/10/2008

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O processo de seleção natural foi proposto por Charles Darwin em sua teoria da evolução. Podemos dizer que a natureza seleciona determinadas características que aumentam as chances de sobrevivência de um indivíduo e, por tabela, suas chances de reprodução. Assim os indivíduos mais bem adaptados tem maior possibilidade de transmitir os seu genes. Se duas ou mais populações de uma dada espécie estiverem separadas por algum tipo de barreira, a seleção natural pode permitir, ao longo do tempo o acúmulo de características diferentes entre as populações separadas e estas podem divergir tanto que ficariam isoladas reprodutivamente quando a barreira deixasse de existir, surgindo, assim, novas espécies a partir de uma espécie ancestral.

Na edição dessa semana da revista inglesa Nature, foi publicado o resultado de um estudo sobre especiação – processo de formação de espécies – entre duas esécies aparentadas de peixes ciclídeos do Lago Vitória, na África. A principal diferença entre as espécies Pundamilia pundamilia e Pundamilia nyerei está na coloração nupcial de seus machos. Em P. pundamilia os machos são azuis-acinzentados, enquanto que em P.nyerei os machos são amarelos com o dorso vermelho-escarlate. Os machos vermelhos vivem no fundo do lago, onde é mais fácil ver a cor vermelha e os azuis vivem na superfície, onde a cor azul é mais visível.

macho_ciclideo_de_aguas_claras

A pegunta é: será que a diferenciação entre as espécies se deveu ao fato de as fêmeas enxergarem diferentes comprimentos de onda? Desse modo, as fêmeas de machos azuis, seriam capazes de enxergar o azul e terem dificuldade em enxergar o vermelho. Já as fêmeas de machos vermelhos enxergariam facilmente essa cor. Para testar essa hipótese, pesquisadores analisaram uma proteína presente na retina desses peixes e envolvida na capacidade de exergar cores. Descobriu-se que a fêmeas que vivem na superfície, as dos machos azuis, possuem uma variante dessa proteína que capta a luz azul enquanto que, as fêmeas do fundo, as dos machos vermelhos, apresentam uma outra variante que capta a luz vermelha. Ao longo do tempo, as fêmeas com a variante para o vermelho só se acasalavam com machos vermelhos e as fêmeas com a variante para o azul acasalavam-se com machos azuis. Essa barreira levou finalmente à formação de duas espécies.

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