Um réquiem para FHC…
Artigo retirado do Blog Carta Maior.
Artigo escrito por Gilson Caroni Filho.
As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.
O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.
Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“”príncipe dos sociólogos” é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.
Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“”Marcha da Família com Deus, pela liberdade” não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.
Quando escreve que “é possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública”, seu objetivo é tão claro como raso.
É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos “quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública” no período que vai de 1994 a 2002.
Criticando o que chama de “autoritarismo popular”, o candidato a polemista prossegue: “Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.”
A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?
O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?
Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: “Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?”. Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.
Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no “Dossiê da Vale do Rio Doce”, “o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna”. Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.
O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro.
Ensino religioso só serve para isto:
Notícia publicada no Dia On-line (27/10/2009) mostra bem as consequências de um ensino religioso confessional.
Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal
Professora umbandista diz que foi proibida de dar aulas em unidade de Macaé, dirigida por diretora evangélica
POR RICARDO ALBUQUERQUE, RIO DE JANEIRO
Rio – As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica.

A professora Maria Cristina mostra desenhos feitos por alunos após a leitura: mães evangélicas se rebelaram. Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.
A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina.
Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “Há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”.
Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.
ATÉ CINCO ANOS DE PRISÃO
“Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac.
Alunos do 7º ano leram a obra: referências ao folclore
Em 180 páginas, o livro ‘Lendas de Exu’, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu.
Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro.
Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer.
O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “As ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”.
Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “Objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”.
VIVA VOZ
Até mães de alunos me proibiram de falar sobre a África
“Acusam-me de dar aula de religião. Não é verdade. No livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, há histórias interessantes, são ótimas para trabalhar com os alunos. Li os contos, como se fosse uma contadora de histórias, dramatizando cada uma delas. Praticamos Gramática, e os alunos ilustraram as histórias de acordo com a imaginação deles. Não dá para entender por que fui tão humilhada. Até mães de alunos, evangélicas, me proibiram de falar sobre a África”.
MARIA CRISTINA MARQUES, professora, 48 anos
O dia do Professor
Ontem (15 de outubro) foi comemorado no Brasil o dia do Professor. Segundo a Wikipedia:
No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila), Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima – caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça – inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a idéia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase ” Professor é profissão. Educador é missão”. Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: “Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.
Congratulo a todos os professores que fizeram de ontem seu dia, mas não posso esquecer daqueles infelizes que, sob pressão ou por descaso mesmo, deram suas aulinhas no dia de ontem. Se você é incapaz de dignificar sua profissão, não será a sociedade que o fará!
Os intelectuais e o novo fascismo
Extraído do JB on-line:
Por Mauro Santayana
Os trovadores medievais, mesmo habitantes de um tempo quase imóvel, cantavam os tempos idos, os amigos e as amadas mortas ou perdidas, com a pergunta: Ubi sunt? Onde estão os intelectuais humanistas, que fermentaram o século passado com seu bravo testemunho? Essa é a pergunta que nos sugere a leitura de artigos de Albert Camus, alguns deles publicados em 1944, quando, libertada Paris, os combates ainda continuavam no Leste. Muitos eram cristãos, outros marxistas, e se destacavam os que não se socorriam de qualquer seita, mas defendiam o primado do homem sobre a barbárie do ódio racial e de classe.
Em dezembro de 1944, Pio XII defendeu a democracia ocidental. Em artigo publicado no dia 26, coincidindo com o Natal, Camus denunciava a cumplicidade da Santa Sé naqueles anos. “Já que temos a ocasião, queremos dizer que a nossa satisfação não está desprovida de pesar. Há anos esperávamos que a maior autoridade espiritual destes tempos condenasse claramente os atos das ditaduras”.
Mais adiante, o autor de L’étranger é mais contundente: “Nosso desejo secreto era que essa voz se elevasse no momento mesmo em que triunfava o mal e em que as forças do bem se encontravam amordaçadas. Esta voz, que acaba de ditar ao mundo católico que partido tomar, era a única que poderia ser ouvida no meio das torturas e dos lamentos. A única que poderia ter negado, tranquilamente e sem medo, a força cega dos tanques”.
Camus era contemporâneo da geração que assistira à ascensão do fascismo e do nazismo. Os intelectuais se dividiam entre os que viam a ordem da força com entusiasmo, e aderiram aos novos bárbaros, e os que resistiram, em defesa da dignidade dos homens. Entre os que se entregaram sabujamente ao nazifascismo se destacaram o norueguês Knut Hamsum e o poeta norte-americano Ezra Pound. Ambos foram salvos, no julgamento por traição, pela atenuante de demência senil.
Camus era 12 anos mais jovem que seu ídolo, André Maulraux, o mais decidido combatente pelo humanismo no século. Próximo dos comunistas durante a insurreição de Xangai, que inspirou seu romance La condition humaine, Maulraux foi dos primeiros a denunciar o barbarismo nazista, no início dos anos 30. Em 36, partiu na primeira hora para defender a jovem República contra a selvageria das falanges de Franco. Piloto das forças republicanas, participou dos combates que lhe dariam material para L’espoir, a mais forte novela sobre a guerra civil espanhola. Combatente nos primeiros meses da Segunda Guerra, membro da Resistência, preso pelos nazistas e libertado pelos companheiros de maquis, Maulraux, que se desiludira do stalinismo, será o grande colaborador de De Gaulle até sua morte. Camus e Malraux eram tanto mais comprometidos com o humanismo quanto mais equidistantes do dogmatismo da Igreja e da ortodoxia dos comunistas. E isso lhes deu a grande autoridade na defesa de suas ideias.
Mas, tanto entre os comunistas quanto entre os católicos, houve heróis e mártires na grande luta do século. Em 1938, o católico Georges Bernanos, o romancista de Sous le soleil de Satan, se horrorizou com o Acordo de Munique, pelo qual seu país e a Grã-Bretanha entregaram o cordeiro tcheco ao lobo germânico. Denunciou corajosamente o fato, em Scandale de la verité, veio para o Brasil com a família e tentou ser fazendeiro, sem êxito, em Cruz das Almas, Minas, e influenciou pessoalmente uma geração de escritores mineiros, entre eles Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Edgar de Godói da Matta Machado.
Hoje, com as bandeiras do ódio racista desfraldadas em Roma, em Berlim, em Paris, em Londres, em Nova York – e outros lugares – cabe a velha pergunta: ubi sunt? Onde se encontram os intelectuais humanistas, dispostos a lutar em defesa do homem? Onde se encontram as novelas de denúncia, como Darkness at Noon, de Koestler, For whom the bells tolls, de Hemingway? Foram substituídas pelos livros de autoajuda e de evasão, próprias a uma civilização domada pelo medo e o egoísmo, e sob o fundamentalismo mercantil.
Mas não percamos a esperança. Talvez ainda vejamos Ratzinger desculpar-se diante da História por retardar o processo de beatificação do mártir dom Romero, assassinado junto ao altar, e, como conselheiro de Wojtyla, ter contribuído para que o franquista Escrivá de Balaguer, rico fundador da Opus Dei, fosse “santificado”.
Nova data do Enem coincide com vestibulares de públicas e particulares
A nova data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado nos dias 5 e 6 de dezembro, coincide com diversos vestibulares de instituições públicas e privadas do país. A confirmação da data foi feita nesta terça-feira (6) pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. A prova foi adiada na quinta (1º) após vazamento do exame.
Entre os processos seletivos afetados estão o da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Fundação Getulio Vargas (FGV). O ministro afirmou que já contatou os reitores das universidades em questão.
A segunda fase da Uerj está marcada para o dia 6 de dezembro. Em nota divulgada no site, a Uerj afirma que, “caso o MEC confirme a realização da prova do Enem nos dias 5 e 6 de dezembro, a Uerj apresentará nova data para a sua segunda fase – Exame Discursivo, sem prejuízo para os candidatos inscritos”.
No caso da UnB, as datas coincidem com as provas do processo seletivo de avaliação seriada. A primeira etapa do Subprograma 2009 está prevista para o dia 5 de dezembro e a segunda e a terceira etapas, para o dia 6 de dezembro.
As provas de habilidades específicas da Unesp também estavam marcadas para o dia 6 de dezembro. A instituição estuda agora um novo calendário.
No vestibular da UFJF, a primeira etapa também estava programada para o dia 6 de dezembro.
Na Universidade Federal de Sergipe (UFS), a prova para a primeira série do vestibular seriado será aplicada no dia 6 de dezembro. Apesar de o vestibular ser realizado pela manhã e o Enem, à tarde, haverá um problema com os locais de prova que são os mesmos. A prova do vestibular acaba às 12h, mas a universidade só deve conseguir liberar os locais de prova perto das 13h, quando começa o Enem.
A seleção para o curso de administração da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, também está agendada para o dia 6 de dezembro.
Consórcio
Na segunda (5), o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, anunciou que o contrato com o Connasel, consórcio responsável pela aplicação do exame que vazou na semana passada, foi rompido bilateralmente.
O Cespe, da Universidade de Brasília, e a Fundação Cesgranrio, segundo Fernandes, já aceitaram participar conjuntamente da aplicação da prova. Para tanto, deve ser assinado um contrato de emergência, sem licitação.
Ao todo, 68 universidades têm convênio com o MEC para usar os pontos do Enem no processo de seleção. O presidente da Andifes, Alan Barbiero, que representa instituições federais de ensino superior, disse que as universidades podem atrasar em 15 dias o início das aulas. Ele deixou claro, no entanto, que a decisão cabe a cada universidade.
Prova do Enem vaza e é cancelada.
Direto do JB on-line:
SÃO PAULO – O vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) levou o Ministério da Educação a cancelar, na madrugada desta quinta-feira, a prova, que seria aplicada no fim de semana para 4,1 milhões de candidatos em 1,8 mil cidades do país. A decisão foi tomada pelo ministro Fernando Haddad após ter sido alertado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre a quebra do sigilo do exame. – Há fortes indícios de que houve vazamento, 99% de chance – afirmou o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, por volta da 1h, por telefone.
Na tarde de quarta-feira, 30, o jornal foi procurado por um homem que disse, ao telefone, ter as duas provas que seriam aplicadas no sábado e no domingo. Propôs entregá-las à reportagem em troca de R$ 500 mil. – Isto aqui é muito sério, derruba o ministério – afirmou o homem. O Estado consultou rapidamente o material, para checar sua veracidade, sem se comprometer com a compra. Haddad, que diz nunca ter tido acesso ao conteúdo da prova, confirmou o vazamento ao consultar técnicos do Inep, órgão do ministério responsável pelo Enem. A comprovação da fraude se baseou em elementos repassados ao ministro pela reportagem, via telefone e e-mail. As questões originais estavam guardadas em um cofre, que foi aberto ontem à noite para confirmar a informação.
No exame a que o Estado teve acesso, a prova de linguagens e códigos, que seria aplicada no domingo, tinha na questão número 1 uma tira da personagem de história em quadrinhos Mafalda. Na folha seguinte, o exame reproduzia uma bandeira do Brasil com a área verde parcialmente suprimida, simbolizando o desmatamento. A imagem lembra uma campanha publicitária famosa da organização não governamental SOS Mata Atlântica. Embaixo dela, a prova tinha a seguinte frase: ‘Estão tirando o verde de nossa terra’. Em outro trecho do exame, também no alto, à esquerda, os examinadores usaram no enunciado o poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, aquele que começa com os versos ‘Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá’. As questões da bandeira e do poema foram confirmadas pelo MEC como originais.
Outro trecho literário usado no Enem tinha o verso de Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho”. Mais adiante, a prova reproduzia um texto da revista Veja sobre o filme Touro Indomável, de Martin Scorsese. Outro personagem usado no Enem era o gato Garfield. O programa de mensagens instantâneas MSN é mencionado em uma das questões.
O encontro no qual o Estado viu trechos da prova aconteceu ontem à noite, na zona oeste de São Paulo. O homem que telefonou para a redação estava acompanhado de outra pessoa. Eles disseram ter recebido o material na segunda-feira, de um funcionário do Inep. Afirmaram que o esquema de fraude tinha cinco pessoas. – Ninguém aqui é bandido, ninguém tem ficha na polícia, nós dois temos emprego – disse o homem. Ele afirmou que recebeu o material “de Brasília, de gente do Inep, do MEC”. Disse que viu na situação a oportunidade de ganhar dinheiro. – Não tenho motivação política – garabtiu. Ele afirmou que procurou um advogado para orientá-lo. – Registramos em cartório cópias das provas – ressaltou. Seu companheiro, mais incisivo, cobrou o tempo todo da reportagem uma posição sobre o pagamento dos R$ 500 mil. – Isto aqui é muito grande, eu não quero correr o risco de morrer por nada – afirmou. Diante da negativa da reportagem, ele se impacientou. – A gente vende isto aqui até por mais dinheiro – disse, revelando a intenção de procurar emissoras de TV.
O MEC tem uma outra versão da prova do Enem pronta para substituir a que foi cancelada. A expectativa do ministério é realizar o exame em 45 dias. Como a metodologia do Enem exige que as questões sejam pré-testadas, o Inep tem um banco com cerca de 1,8 mil delas. O exame mudou este ano para funcionar como vestibular unificado nacional: 24 universidades federais tinham abolido seus processos seletivos em favor do novo Enem. Informações do jornal O Estado de S. Paulo.
Enem terá 33% de questões difíceis!
Extraído de O Dia on-line:
POR ANA D’ANGELO, RIO DE JANEIRO
Rio – De 25% A 33% das 180 questões da prova do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem 2009, que acontece no fim de semana que vem, serão de nível considerado difícil. Quem afirma é Helinto Ribeiro Tavares, diretor de Avaliação da Educação Básica do Instituto Nacional de Educação (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pelo Enem. A próxima mudança no Ensino Médio, afirmou ele, será a dos livros didáticos, que passarão por adaptação para se adequar à nova forma de abordagem das disciplinas, de contextualização e muita interpretação.

O DIA: Qual a diferença do Enem atual em relação ao anterior e ao tradicional vestibular?
Helinto: O Enem, no formato até 2008, foi concebido de uma forma muito distante da escola, desde sua concepção, em 1998, para que servisse de avaliação pessoal do aluno e também para que fosse usado como acesso ao Ensino Superior. Por isso, não deu certo. Sentimos a necessidade de criar dois componentes: a de orientação para o Ensino Médio e a do acesso ao Ensino Superior. O Enem passou a ter uma estrutura completamente diferente, sem aquela grande abrangência como tinha até o ano passado. Agora é composto por áreas (de Linguagem e Códigos, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Matemática). A redação continua no mesmo formato dos anos anteriores.
E em relação ao vestibular?
A estrutura atual do Enem pode estar um pouco diferente dos vestibulares. A maior parte ainda tem questões muito objetivas. O Enem passa daquele formato extremamente seco para uma estrutura muito próxima do que temos da vida, que é uma grande situação-problema, um contexto, em que o aluno tenha uma grande capacidade de percepção, de identificar o problema e, a partir dali, apontar a solução.
Por que os idiomas estrangeiros ficaram de fora?
Neste ano, não houve consenso acerca de se adotar um determinado idioma ou a obrigatoriedade de dois. Sabe-se também que idiomas estão muito associados ao fator socioeconômico, favorecendo quem fez um curso de Inglês paralelo. Por isso, decidiu-se neste ano não cobrar. Mas o objetivo é exigir o uso da língua estrangeira em 2010. Assim, na próxima reunião do conselho, será decidido se será um idioma, se será possível optar entre dois, ou se cobraremos dois obrigatoriamente.
Como será o aproveitamento e a validade da nota do Enem?
As instituições e o próprio comitê gestor ainda vão decidir sobre isso. O importante é dizer que é uma nota comparável ao longo do tempo. Agora, se vai valer durante um momento, dois ou três, deixaremos que as instituições se posicionem a respeito. Essa discussão é que vai permear o tempo de utilização do Enem. Mas pode ser válido por várias edições. Se o aluno não fizer o Enem do ano que vem, ele pode participar com a nota deste ano. Isso está definido.
Com o mesmo peso?
Sim. O que está para ser definido é se o aluno poderá utilizar a última nota maior (em caso de participar de várias edições). Como esse é o primeiro ano, não há esse problema. Estamos deixando essa discussão evoluir para que tome corpo para decisão já na próxima reunião do comitê gestor.
As universidades que aderiram ao sistema unificado são obrigadas a aceitar a nota do Enem anterior ou é apenas uma recomendação do Inep?
É decisão das universidades, que têm autonomia. Mas é recomendação nossa. Estamos oferecendo uma avaliação e sugerindo que elas a adotem em substituição ao processo seletivo. Porque é uma prova com uma técnica muito boa. E principalmente porque passa a ter uma nota comparável no País inteiro e não só naquela universidade.
O Enem unificado acabará elevando a nota de corte dos vestibulares?
Haverá uma seleção melhor desses alunos. Quem sair na frente conseguirá pegar a nata.
A expectativa é que as instituições substituam de vez o tradicional vestibular pelo Enem?
Sim. Neste ano, abrimos o processo unificado só para instituições federais. Recebemos pedidos de várias particulares. Mas preferimos não aceitar ainda. Primeiro, avaliaremos como foi o desempenho em relação às federais. A partir daí teremos outras estaduais e eventualmente particulares. Mas qualquer instituição pode considerar a nota do Enem cadastrando-se no sistema do Inep. O aluno se inscreverá no processo seletivo delas, que pedirão a nota desse aluno. As particulares já adotam isso no momento da inscrição. O aluno opta por usar a nota do Enem.
Como se divide o nível das 180 questões?
Precisamos ter para cada uma das áreas questões fáceis, intermediárias e difíceis. Por que difíceis? Porque precisamos ter boa seleção dos alunos para atender os cursos de alta demanda. Boa parte da seleção, a gente já poderia fazer só com níveis médios. Mas precisamos dos níveis mais baixos por causa de um dos objetivos do Enem: o de ser usado como certificação do Ensino Médio, ou seja, pessoas que ainda não têm Ensino Médio podem usar o Enem e chegar a desempenho satisfatório. Vamos sugerir que as secretarias estaduais deem o certificado (de conclusão do Ensino Médio) a eles. Então, é necessário ter os níveis mais baixos. Além disso, precisamos informar às secretarias de educação se os alunos dominam conteúdos a, b, c e d.
E como ficou essa distribuição?
É fundamental que tenhamos aproximadamente um quarto (25%), em algumas delas um terço (33%), de itens mais fáceis, dois quartos de intermediárias (50%) e um quarto de difíceis. Em alguns casos, um terço de cada nível.
Nessa reta final, o que os alunos podem fazer?
A sugestão é descansar. Tenho falado isso porque o Enem é um exame em que é preciso ter muita capacidade de reflexão. É necessária uma mente descansada para poder entender os itens, que são de muita leitura, poder refletir bastante sobre o que está sendo solicitado e assim acertar a resposta. Os alunos têm que estar preparados para alta capacidade de reflexão. E isso não vão conseguir estudando até a madrugada do dia anterior.
O fato de as questões serem interpretativas pode dar margem a várias respostas?
As questões foram muito bem formuladas. Por mais que a carga de texto seja grande, que é a característica do Enem, só haverá uma resposta. Inclusive em todos os itens que preparamos, para cada alternativa há uma explicação de por que está certo ou errado. Isso deve ser apresentado logo depois (da aplicação da prova).
Qual a expectativa sobre as notas?
Não podemos dizer isso porque as notas não são comparáveis. Este ano vai ser o ponto inicial da escala e a partir daqui podemos medir se piorou ou melhorou em relação aos anos anteriores.
Como ficou o oferecimento de vagas pelas universidades para o Enem?
Teremos um pouco mais de 50 mil vagas considerando todas as universidades, que é um número razoável, sem falar nos institutos. A média é de 50% das vagas, mas alguns cursos vão oferecer até 100% delas. É natural que as instituições experimentem este ano. Acreditamos que nos próximos três anos esse processo se consolide passando a quase todas as vagas oferecidas para o processo seletivo unificado. Se não forem todas.
O senhor acha que houve mudança na didática das escolas? Acredita que houve tempo para isso?
As escolas nunca se preparam para o outro Enem. Eram os cursinhos que faziam isso. Agora, o Enem está mais próximo delas. Mesmo assim, não é exatamente o que as escolas trabalham. Elas já deveriam estar nessa linha há dez anos. O que fizemos foi formalizar o que já estava previsto há dez anos. Por isso, de certa forma, as escolas, os alunos e os professores estão mais preparados para esse formato que para o anterior. Mesmo assim, as escolas precisarão melhorar mais.
O senhor comentou sobre os professores terem se adaptado. Essa adaptação aconteceu de fato?
Eu acredito que os professores estão se adaptando efetivamente. Mas a mudança muito grande que haverá agora é a mudança dos materiais didáticos. Ela já está em curso para que essa nova forma de abordagem seja implementada nas escolas. As instituições de educação superior terão que formar professores com esse nível de contextualização. É um sistema todo que tem que mudar nas suas diversas esferas e etapas, até chegarmos à consolidação final desse processo.
Colonia de férias para filhos de ateus
Todo mundo já ouviu falar ou até participou de retiros religiosos em que grupos de crianças ou saem da cidade para refletir e compartilhar experiências religiosas. Mas para onde pais que não acreditam em Deus mandam seus filhos? Na Inglaterra, nos EUA, e no Canadá, esse lugar já existe: o ‘Camp Quest’.

Acampamentos surgiram nos Estados Unidos, mas outros já foram abertos na Europa e no Canadá
A ideia nasceu nos EUA e atende, segundo seus adeptos, “crianças irreligiosas e filhos de pais com ausência de crença em Deus”. Este ano, os campos ganharam ainda mais atenção depois de chegarem à Inglaterra, onde receberam o apoio de um dos mais radicais pensadores ateus, o biólogo britânico Richard Dawkings.
As crianças participam de atividades típicas de ‘acampamentos de verão’ — expressão usada para definir colônias de férias no exterior —, muitas vezes promovidas por grupos religiosos. Entre elas estão cabo de guerra, canoagem, tirolesa e outras atividades físicas. Os jovens de até 17 anos que participam do ‘Camp Quest’, entretanto, são encorajados a discutir filosofia e a participarem de desafios que, segundo os organizadores, desenvolvem o pensamento científico.
Numa das atividades, as crianças e adolescentes têm que provar que dois unicórnios que habitariam o local onde é realizado o evento existem. O objetivo é mostrar como é difícil provar que algo — como Deus — existe.
Depois de 23 edições do Camp Quest americano, ninguém conseguiu levar o prêmio, uma nota rara de 10 libras, com um desenho de Charles Darwin, considerado o “pai do evolucionismo”.
A iniciativa causou polêmica com líderes religiosos na Inglaterra e recebeu críticas de alguns jornais, que chegaram a falar em “lavagem cerebral”. Uma das organizadoras, Samantha Klein, entretanto, jura que as crianças só são encorajadas a pensar por si próprias.
Advogado teve a ideia
Os ‘Camp Quest’ foram ideia do advogado americano Edwin Kagin, 68 anos, e de sua mulher, Helen. Ele disse que decidiu começar a iniciativa depois que uma criança foi proibida de entrar num acampamento de escoteiros por ser ateia.
Pelo menos 50 mil crianças participam de acampamentos cristãos todo ano, segundo a Christian Camping International.
Bem que poderíamos ter um acampamento deste tipo no Brasil. É bem melhor do que ver a lavagem cerebral feitas nos acampamentos tradicionais em nossas crianças.
Professores do Rio estão mais doentes.
Diretamente do JB on-line:
Nara Boechat , Jornal do Brasil
RIO – Será votado amanhã, na Câmara Municipal do Rio, o Projeto de Lei 297/2009, que institui o calendário unificado para escolas públicas e privadas da cidade. De autoria do presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, o vereador Reimont, o projeto, que já foi aprovado em primeira discussão no dia 3, foi feito após uma discussão com o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) e tem o objetivo de “garantir a simultaneidade e integralidade das férias escolares” dos profissionais de educação.
Sem este intervalo para descanso e com o agravamento por outros problemas, como salas de aula superlotadas e a trabalho em áreas consideradas de risco, os educadores cariocas estão ficando doentes, com problemas de voz, estresse, depressão e outros malefícios, cada vez mais comuns atualmente.
– Não ter um calendário escolar unificado tem levado a categoria, tanto da rede pública quanto da privada, ao esgotamento físico e mental, mostrado pelo excessivo afastamento para tratamentos – diz Reimont.
De acordo com o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), atualmente 45% desses profissionais estão com problemas de voz, a maioria causada por problemas emocionais, e 50% das licenças médicas no trabalho têm origem em causas psicológicas.
Segundo o presidente do Sinpro-Rio, Wanderley Quedo, 30,4% dos professores do Rio tem a Síndrome de Burnout, que é um distúrbio de caráter depressivo, precedido pelo esgotamento físico e mental – do inglês “to burn out”, que significa queimar por completo – e, com o projeto, ele pretende esclarecer mais sobre o caso.
– Esta lei atingiria cerca de 200 mil professores e 12 milhões de alunos do município do Rio – afirma Quedo.
Problemas de voz
O professor de história, Flávio Peixoto Grey, de 43 anos, ficou cerca de quatro meses afastado das três escolas em que trabalha – estado, município e outra particular –, devido a uma fadiga nas cordas vocais. Segundo Flávio, a decisão de dar aulas em mais de um lugar se deve à baixa remuneração e, como muitas não possuem condições necessárias para o exercício da profissão, ele acabou ficando doente.
– As salas de aula não foram projetadas para o professor falar. Temos que abrir as janelas, por ser um lugar muito quente, e acabamos tendo que competir com o barulho de fora, além da competição de voz com o número excessivo de alunos, que passa do limite de 50 por sala – esclarece Grey, que já voltou a trabalhar nas escolas do município e particular e está trabalhando na biblioteca do colégio estadual, temporariamente
– O governo só começa o tratamento quando o problema acontece, não há uma prevenção para isso. Ouvi dizer que agora há um projeto no estado para colocar microfones em salas de aula – acrescenta o professor.
De acordo com o subsecretário estadual de Gestão e Recursos, Sérgio Mendes, este sistema foi implementado no início deste ano letivo e há quatro meses, todos os colégios do estado do Rio já estão com microfones.
– Em todas as unidades estão disponíveis microfones com amplificador individual. O professor que quiser pode decidir que se quer colocar o tipo lapela ou o que chamamos de kit Madonna, para quem quer ficar com as mãos livres.
Áreas de risco
Outras causas de licenças médicas bastante observadas nesta categoria são estresse e depressão. Além dos motivos descritos acima, a proximidade com a violência é um fator de peso para fazer com que professores cheguem ao seus limites.
Com problemas de síndrome do pânico e hipertensão, o professor Rubens Barbosa Silva, de 57 anos, tirou licença de um mês das duas escolas, localizadas próximo ao Complexo do Alemão, pois “havia chegado à exaustão”.
– Fiquei hipertenso por causa do trabalho, pois a gente vive em tensão permanente com medo da violência. Além disso, as condições de trabalho são péssimas. Não há inspetores tomando conta dos corredores, então, além de professores, viramos inspetores, recreadores, tudo – desabafa Rubens, que dá aulas para mais de 200 alunos por dia.
Para o juiz da 26ª Vara de Trabalho, Marcelo Segal, afirma que é comprovado que trabalhar em áreas consideradas de risco gera problemas de saúde, devido à constante sensação de aflição.
– É uma situação conhecida de todos, mas o problema é que a lei não prevê casos como este, do cotidiano, diferente do assédio moral e sexual.
Já o médico legista, Roger Ancillotti, acredita que o grande problema é que os governos não entendem a situação e acabam não oferecendo assistência psicológica para estes profissionais.
– Trabalhar no que não gosta, fazer vários bicos, acrescidos do medo com a violência, são pratos cheios para a depressão e estresse – informa o médico.
Rubens está em tratamento, mas já voltou a dar aulas em uma das escolas em que trabalha.
– É muito desgastante. Eu já me sinto como um remédio fora da validade, fazendo mal aos alunos.
1984 na vida real.
Uma da minhas maiores preocupações é a manutenção da liberdade individual. O direito à privacidade é requisito fundamental nas verdadeiras democracias.
Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é um romance de ficção escrito por George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair), publicado em 1949 que retrata o cotidiano de uma sociedade totalitária.O título resultou da inversão dos últimos dígitos do ano em que foi escrito, 1948. Na narrativa surge a figura, aparentemente simbólica, do Big Brother (grande irmão), ditador da Oceania. Os cidadãos são vigiados par câmeras espalhadas por todos os lugares, incluindo o interior das residências. Orwell foi um dos primeiros ocidentais alertar as pessoas sobre as tiranias.
Mas o que tem a ver o romance com o mundo atual? Um do graves problemas nas cidades é a violência. Em que pese o combate tradicional, usando a força policial, é cada vez maior o número de pessoas e governantes adeptos do uso de câmeras de vigilância sob a alegação de que elas desmotivariam a ação dos bandidos e permitiriam a identificação de culpados no caso de algum crime acontecer. O problema é a privacidade do cidadão comum. Conforme o número e a tecnologia das câmeras aumenta, menor é a privacidade da pessoa ou, em outras palavras, menor é a liberdade individual. Em um futuro próximo, o uso desenfreado deste tipo de vigilância pode descambar para o controle social. E parece que essa é mesmo a pretensão do poder. foi aprovado no Congresso Nacional o número único nos documentos. Ou seja, documentos como RG, CPF, Carteira de Motorista, passam a ter o mesmo número. Muitos irão pensar “finalmente um único número para guardar”, mas se esquecem do fato de o número único permite que a receita federal e estaduais, por exemplo, possam monitorar todas as nossas atividades, desde a compra de alimentos em supermercados e até o “pulo de cerca” dos amantes. Basta usar o cartão de crédito.
Está mais do que na hora da sociedade abrir seus olhos, antes que seja tarde
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